Alinhando negócios aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e ao Acordo de Paris sobre o Clima

Sobre a Vale

23/06/2020

Alinhando negócios aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e ao Acordo de Paris sobre o Clima

Jeffrey D. Sachs Diretor da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU e Lisa E. Sachs Diretora do Centro de Investimento Sustentável da Universidade de Columbia (Estados Unidos)

As empresas têm um papel fundamental na conquista dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) e do Acordo de Paris sobre o Clima. Seus produtos, operações de negócios, cadeias de fornecimento e interações com governos e a sociedade podem fazer valer ou romper com esses compromissos. Por isso, são necessárias diretrizes e práticas de divulgação padronizadas para garantir o alinhamento de negócios a essa agenda. Tais padrões ainda não existem. Há várias iniciativas atuais que deveriam ser fortalecidas e harmonizadas para apoiar o setor dos negócios em sua orientação rumo ao desenvolvimento sustentável, e para responsabilizar as empresas que resistem às mudanças necessárias.

A Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU e o Centro de Investimento Sustentável da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, estão trabalhando juntos para desenvolver um quadro robusto para promover e mensurar o alinhamento de empresas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e ao Acordo de Paris sobre o Clima, começando com os setores de energia e o de alimentos.

Os padrões propostos – para a prática, divulgação e medição – devem refletir as necessidades de cinco grupos principais. O primeiro são os conselhos e gerentes seniores das empresas, que precisam de orientações e informações objetivas para assegurar o alinhamento das operações da empresa aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e ao Acordo de Paris sobre o Clima, bem como para avaliar a performance em relação às empresas concorrentes. O segundo são os legisladores, que têm escolhas a fazer entre os interesses de investidores e são cobrados a formular e implementar políticas fundamentais (como os padrões de emissões, avaliações de impacto, requisitos de divulgação e contabilidade). O terceiro são os investidores, que estão cada vez mais sujeitos aos critérios de sustentabilidade que os encorajam a considerar os impactos de seus investimentos, e não somente os riscos ambientais, sociais e de governança. O quarto são as organizações da sociedade civil que defendem políticas ambientais e sociais eficientes e responsabilizam governos e negócios. O quinto é o público geral, incluindo consumidores, jovens e a cidadãos em geral.

A diversidade atual de diretrizes e modelos de divulgação está causando sérios problemas para cada um desses grupos. Padrões, modelos de divulgação e métricas são ao mesmo tempo divergentes e inadequados para promover e medir o alinhamento holístico com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável; frequentemente, dão passe livre a empresas que prometem mais do que cumprem. Padrões rigorosos e ferramentas de avaliação devem fazer as empresas se responsabilizarem por suas ações reais, não apenas por sua retórica, e claramente distinguir entre desempenhos bons e fracos.

A Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU e o Centro de Investimento Sustentável da Universidade de Columbia recomendam quatro dimensões de alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris sobre o Clima:


  • As linhas de produtos são benéficas à sociedade: O que a empresa produz? Quais são os impactos dos produtos e serviços que comercializa hoje e planeja comercializar no futuro?

    Alguns produtos têm sido transformadores para a saúde, energia limpa e qualidade de vida, enquanto outros, como refrigerantes e combustíveis fósseis, são inerentemente desalinhados com as melhorias dos padrões de vida e a sustentabilidade do nosso planeta.



  • Processos produtivos são social e ambientalmente sustentáveis: Como a empresa produz seus bens e serviços? Quais são os impactos ambientais e sociais resultantes da produção?

    Há muitas questões aqui, incluindo limitações rígidas de danos ambientais à biodiversidade e aos assentamentos humanos; engajamento responsável com as comunidades afetadas e o consentimento legal delas, especialmente as comunidades marginalizadas; e a proteção de todos os direitos trabalhistas à saúde, horas de trabalho, representação e remuneração.


  • Cadeias de valor são social e ambientalmente sustentáveis: De onde a empresa coleta suas matérias-primas e como seus produtos são usados após sua distribuição? A empresa se responsabiliza por sua cadeia de valor?

    Cadeias de valor globais podem ser complexas, envolvendo energia, transporte, serviços, agricultura e outros setores. As empresas precisam assumir uma reponsabilidade conjunta por suas cadeias de valor, tanto no fornecimento quanto na distribuição, em vez de transferir os riscos e as externalidades aos produtores e consumidores.


  • Boa cidadania empresarial: Como a empresa vê seu papel nas economias nacionais e global?

    Boa cidadania empresarial inclui: respeito e cumprimento a todas as regulações aplicáveis e às melhores práticas; transparência na conduta corporativa; igualdade de gênero nos recursos humanos; práticas fiscais honestas; comportamento responsável em litígios; evitar lobby para enfraquecer regulações; e assim por diante.


Fazemos a observação de que a maioria dos processos de divulgação, incluindo os relatórios anuais de sustentabilidade das próprias empresas, abordam um conjunto relativamente estreito das variáveis delineadas acima como aspectos fundamentais para o alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris sobre o Clima.

A Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU e o Centro de Investimento Sustentável da Universidade de Columbia esperam trabalhar com os líderes da indústria para apoiar seus esforços e assim contribuir para um mundo mais próspero, saudável, inclusivo e sustentável.


Alinhando negócios aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e ao Acordo de Paris sobre o Clima