Cia. de Dança Deborah Colker traz espetáculo “Cura” para Itabira

03/05/2022

Cia. de Dança Deborah Colker traz espetáculo “Cura” para Itabira

O Instituto Cultural Vale apresenta “Cura”, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O espetáculo também conta com patrocínio da Prefeitura do Rio de Janeiro, através da Secretaria Municipal de Cultura. A montagem chega a Itabira, nos dias 7 e 8 de maio (sábado e domingo), às 20h, na Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade – FCCDA, com entrada gratuita.

Com dramaturgia do rabino Nilton Bonder e trilha original de Carlinhos Brown, “Cura” estreou em 6 de outubro de 2021, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, e, antes de chegar a Itabira, passou por nove cidades, com um total de 48 apresentações, e um público total de 50 mil pessoas. A turnê de 2022 iniciou com temporada no Teatro Casa Grande (RJ), entre 27 de janeiro e 20 de fevereiro, com grande sucesso.

Cinco dançarinos, vestidos de vermelho, abraçados, de costas para a câmera, no palco. Ao fundo, três cortinas imitando palha recaem sobre o palco.  
Bailarino vestido de vermelho, enrolado em uma estrutura que lembra palha.  
Bailarino vestido de vermelho “voando” em cima de uma estrutura que lembra palha.  
Bailarinos com roupa amarela pulando e “voando” no palco. Eles estão formando um meio círculo. No meio deles, existem caixas empilhadas.  
Bailarina com roupa vermelha e pedaço de pano branco preso no tronco e no pescoço. Ela está sozinha no palco, encostada em uma parede, de braços abertos e joelhos flexionados e pés cruzados.  
Cinco bailarinos vestidos de vermelho. Quatro deles estão segundo um deles que estão no alto. No fundo do palco, tem frase refletida “Porque livraste a minha alma da morte os meus olhos das lágrimas e os meus pés da queda”.  
Três bailarinos vestidos de vermelho, dois no chão e uma em pé. No fundo, tem a frase “Passando por ela o evento, logo se vai e o seu lugar não será mais conhecido.”  
 

Saiba mais sobre o espetáculo

Deborah Colker dedicou seu tempo, nos últimos anos, a buscar uma cura. No caso, uma solução para a doença genética que seu neto possui, a epidermólise bolhosa. Dessa angústia pessoal nasceu o novo trabalho Da Cia. Deborah Colker, um espetáculo que vai muito além do aspecto autobiográfico. “Cura” trata de ciência, da fé e da luta para superar e aceitar os nossos limites, do enfrentamento da discriminação e do preconceito.

Deborah Colker concebeu o projeto em 2017, mas foi no ano seguinte, com a morte de Stephen Hawking, que encontrou o conceito. Embora acometido por uma doença degenerativa, a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), o cientista britânico viveu até os 76 anos e se tornou um dos nomes mais importantes da história da física. Deborah percebeu que há outras formas de cura além das que a medicina possibilita. “Quando foi diagnosticado, os médicos deram a Hawking três anos de vida. Ele viveu mais 50, criativos e iluminados. Entendi o que é a cura do que não tem cura”, conta Deborah Colker.

A estreia de “Cura” aconteceria em Londres em 2020, mas a pandemia não permitiu. O adiamento deu ao espetáculo mais um ano de pesquisas, transformações e reflexões.

A pandemia me fez ter certeza de que não era apenas da doença física que eu queria falar. A cura que eu quero não se dá com vacina.

Colker

Há dores mostradas no palco, mas há esperança no final. Deborah diz que procurou preservar a alegria necessária à vida. Um ingrediente para isso foi a semana que passou em Moçambique durante a preparação, quando conheceu pessoas que não perdiam a vontade de viver, apesar das muitas dificuldades. “Fui procurar a cura e encontrei a alegria”, explica a coreógrafa.

Deborah Colker incorporou ao espetáculo referências das três religiões monoteístas e elementos de culturas africanas, indígenas e orientais. Logo no início, conta-se a história de Obaluaê, orixá das doenças e das curas. “A ponte entre fé e ciência me ajudou muito. Fui experimentar o invisível, a sabedoria do invisível”, diz.

Numa cerimônia realizada quando da morte do seu pai, Deborah conheceu o rabino Nilton Bonder, autor de “A alma imoral” e muitos outros livros. Ao planejar “Cura”, decidiu convidá-lo para desenvolver a dramaturgia. Dentre tantas contribuições, ele ressaltou que “pedir é curar”, ideia que gerou uma cena. Também apontou que “a grande cura é a morte”, o que motivou uma coreografia com dois bailarinos dançando ao som de “You want it darker”, de Leonard Cohen.

O espetáculo apresenta todos os recursos imunitários e humanitários em aliança pela cura. A ciência, a fé, a solidariedade e a ancestralidade são o coquetel de cura do que não tem cura. Concebido antes desta pandemia, o título não é um ‘conceito’, mas um grito.

Nilton Bonder, convidado por Colker para desenvolver “Cura”.

Carlinhos Brown foi convidado, inicialmente, para compor apenas o tema de Obaluê, mas acabou criando praticamente toda a trilha, inclusive a canção inicial, dos versos “Traga meu sorriso para dentro” e “Sou mais forte do que a minha dor”. “A música veio na minha cabeça logo depois da primeira conversa com Deborah. Eu pensei: isso é um chamado, não é uma trilha normal. É um trabalho muito mais profundo do que ‘Carlinhos está fazendo uma trilha’, diz o músico, que canta em português, ioruba e até em aramaico. Os 14 bailarinos também cantam, em hebraico e em línguas africanas, algo que acontece pela primeira vez nos 29 anos de história da companhia.

Fundador da companhia ao lado de Deborah Colker, o diretor executivo João Elias vê em “Cura” um passo ainda maior que o dado pela coreógrafa no trabalho anterior, “Cão sem plumas” (2017), baseado no poema de João Cabral de Melo Neto. “Quando começou a coreografar, Deborah era mais abstrata, formal. Depois, passou a contar histórias, aprimorar dramaturgias. “Cão sem plumas” já era um espetáculo visceral, emocionante. “Cura” é ainda mais, mostra um grande amadurecimento”, analisa o diretor.

Companheiro de Deborah em toda a trajetória, o cenógrafo e diretor de arte Gringo Cardia é outro que destaca a importância de “Cura” para a artista. “Deborah era toda ciência. Passou por um crescimento espiritual. Foi conversar com Deus neste espetáculo”, afirma Gringo Cardia, que assina as duas rampas que dão aos movimentos dos bailarinos a sensação de desequilíbrio, e as caixas que, entre várias funções, formam um muro. “O muro passa a imagem de um grande obstáculo, mas ele se divide em vários pedaços. Então, é possível atravessá-lo. É como a gente faz nas nossas vidas”, diz Gringo.

Nos figurinos de Claudia Kopke – que esteve em “Cão sem plumas” – as pernas podem ter estilos bem diferentes, traduzindo o desequilíbrio que é um dos nortes do espetáculo. “Os bailarinos têm as cabeças cobertas, usam balaclavas, mas o final é dourado, de alegria”, explica a figurinista.

O iluminador Maneco Quinderé, que só havia trabalhado com a companhia em “Vulcão” (1994), também criou uma luz fragmentada, como sugerem as ideias de “Cura”. O final tem brilho, indicando renascimento. “Cada segmento tem suas características, e eles formam um caleidoscópio”, diz ele.

Espetáculo “Cura” - Cia. de Dança Deborah Colker

Local: Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade – FCCDA, em Itabira
Data: 7 e 8 de maio (sábado e domingo), às 20h
Entrada: gratuita
Ingressos: limitados e disponíveis para retirada nos dias 4 e 5 de maio, das 8h às 18h, na galeria da FCCDA
Classificação indicativa: livre

Assista ao documentário “Cura”

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