Quais os benefícios de uma ferrovia? E as consequências de uma interdição? Leia na entrevista com o executivo da Vale, João Coral

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Quais os benefícios de uma ferrovia? E as consequências de uma interdição? Leia na entrevista com o executivo da Vale, João Coral

Em 2017, a Estrada de Ferro Carajás transportou quase 300 mil pessoas no Trem de Passageiros entre os estados do Maranhão e Pará. Apesar do número expressivo, a operação da ferrovia também contribui positivamente em outros aspectos com as economias desses estados e do Brasil. Nesta entrevista, o gerente executivo de Sustentabilidade da Vale, João Coral, fala sobre a influência positiva da ferrovia e das consequências diretas que as interdições da sua operação causam à sociedade.

1- Além do transporte de passageiros que outro tipo de benefício socioeconômico a operação da Estrada de Ferro Carajás traz para as comunidades?

Começo destacando os impostos e tributos que a circulação dos trens gera como ICMS, ISS, entre outros. Só em imposto pago, a Vale recolheu no Maranhão em 2017 o total de 223 milhões de reais. Além dos impostos, investimos cerca de R$ 220 milhões na área socioambiental e R$ 2,1 bilhões em compras locais. Esse valor ajuda a movimentar a economia, mantem e gera empregos indiretos e ajuda projetos realizados pelo poder público na área de educação e saúde básica, por exemplo.

No que se refere ao transporte de combustível, a EFC também tem papel estratégico. Por ela, passa grande parte do combustível que abastece o sul do Maranhão, parte do Pará e ainda a região tocantina. Por dia, são 6 milhões de litros transportados.

A EFC também contribui estrategicamente para alavancar o agronegócio brasileiro já que faz parte da cadeia de transporte da soja e do milho produzidos no centro oeste do Brasil. Os grãos chegam à EFC em Açailândia e de lá - nos trens da VLI - chegam até São Luís (MA). São 6 milhões de toneladas transportadas por ano.

Manter essa ferrovia rodando também gera emprego na Vale e nas empresas contratadas por nós. Hoje, nosso quadro de profissionais no Maranhão é formado por cerca de nove mil empregados entre próprios e terceiros permanentes.

No que se refere aos investimentos sociais, a Vale em conjunto com as comunidades vizinhas à ferrovia discutem, planejam e articulam parcerias para que possam identificar as aptidões e potencializar as atividades econômicas dessas famílias.

Essa construção participativa tem gerado inúmeros projetos de geração de renda e trabalho, em dezenas de comunidades ao longo da ferrovia. É muito bonito de ser ver. E dura muito tempo, porque as propostas partem deles. É algo sustentável.

Outra importante ação da Vale junto a 22 municípios ao longo da ferrovia é a parceria com o CIM (Consórcio Intermunicipal Multimodal) e as prefeituras. Desde a criação em 2014, temos 96 projetos concluídos de 263 aprovados, o que representa um investimento de 30 milhões de reais. São projetos ligados principalmente a saúde, educação e geração de trabalho e renda, como Unidades Básicas de Saúde, construção e reforma de Escolas, ambulâncias, etc. Na prática, a Vale entra com o investimento e acompanha, mas é a Prefeitura que executa as obras.

2 - Mesmo com esses benefícios ainda observamos questionamentos à operação ferroviária no que se refere à segurança das comunidades vizinhas. Como a Vale enxerga esta questão?

Melhorar a segurança nas ferrovias é um desafio para todas as operadoras, governos e comunidades no Brasil e do mundo, isto porque assim como nas rodovias as causas dos acidentes ainda mostram que o aspecto comportamental é determinante.

Para a Vale, a segurança está sempre em primeiro lugar e neste sentido não medimos esforços para que as ocorrências sejam evitadas.

Para conscientizar as pessoas, a Vale investe em campanhas e no diálogo permanente com as comunidades, informando-as dos cuidados necessários para uma convivência segura. Em 2018, além das ações de rua, das Caravanas Nos Trilhos, blitzen e reuniões, estamos reforçando o trabalho com mensagens de rádio. A ideia é alcançar um número cada vez maior de pessoas com esse trabalho de conscientização.

3 - E sobre as travessias?

De 2012 para cá, investimos muito na construção de novas travessias e na melhoria das passagens que já existiam. Chegaremos em pouco tempo ao número de 47 novos viadutos, que se somam às outras passagens oficias. Porém, tão importante quanto garantir essas travessias é a mudança de comportamento.

Infelizmente, o que a gente observa é muitos acidentes acontecem próximos aos viadutos ou locais apropriados para cruzar a via. Não é raro também flagramos motoristas cruzando a EFC com o trem a poucos metros. Nessas ocasiões, o maquinista aplica freio de emergência, buzina, mas ainda assim eles se arriscam.

O funcionamento de uma ferrovia é bem diferente do que acontece com os carros em uma rodovia. Os trens podem pesar mais de 20 mil toneladas e por isso é impossível freá-lo imediatamente em situações de emergência. O certo é não arriscar!

4 - Já falamos de benefícios, de segurança e agora gostaria de falar sobre as interdições. Por que elas ainda acontecem? Quais são as causas desses protestos? Que tipo de impacto causam?

Você sabia que no ano passado mais da metade das interdições da Estrada de Ferro Carajás não tinha qualquer relação direta com nossas operações? Eram reivindicações relacionadas à reforma agrária, movimentos sociais, questões indígenas e outras tentativas de atingir órgãos e autarquias públicas. O bloqueio da via era uma forma de chamar atenção dos órgãos responsáveis.

As consequências negativas atreladas a uma interdição, porém não justificam o ato.

Só no Trem de Passageiros, são mais de 1300 pessoas que ficam prejudicadas diariamente. Entre eles, há gente precisando chegar a consultas médicas agendadas há meses, entrevistas de emprego, viagens a trabalho, visita a familiares e etc.

Além das consequências socioeconômicas, os riscos operacionais de uma interdição são enormes, incluindo a chance de ocorrer um grave acidente ferroviário, já que os trens precisam de longas distâncias até que parem completamente.

5 - Interdição de ferrovia é crime?

Sim. Considerando o potencial catastrófico de um acidente ferroviário, o Código Penal Brasileiro prevê detenção de 2 a 5 anos e ainda multa. Porém, mais importante que a consequência criminal são os prejuízos causados à toda a sociedade e não somente à Vale.

6 - Quando alguém que mora perto da ferrovia precisa falar com a Vale, que ela deve fazer?

Manter um diálogo contínuo e transparente com todos os públicos ligados à nossa operação é condição fundamental para garantir a sustentabilidade do nosso negócio. Por isso, disponibilizamos diferentes canais de comunicação ao longo dos 970 quilômetros da ferrovia, um deles funcionando 24 horas por dia, o Alô Ferrovias, 0800 285 7000. Além dele, nossas equipes de campo estão sempre à disposição, vivendo o dia a dia das comunidades, visitando regularmente as lideranças comunitárias e gestores públicos das cidades próximas à nossa ferrovia.

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