ITV cria aplicativo para agilizar identificação de espécies botânicas

Sobre a Vale

15/12/2016

ITV cria aplicativo para agilizar identificação de espécies botânicas

Uma tecnologia em desenvolvimento pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV) de Belém (PA) vai agilizar a identificação de espécies de plantas. Trata-se do Digital Plants, um sistema capaz de levantar, a partir de uma simples fotografia de uma folha, informações sobre uma planta, como nome, espécie, família, local onde é possível encontrá-la, se é endêmica ou se está ameaçada de extinção. O sistema funciona dentro de um tablet e reúne uma base de dados que permite usá-lo mesmo em um ambiente sem sinal de internet. "O botânico da Vale poderá levantar informações sobre a planta no exato momento em que encontrá-la no campo. Isso representa um ganho enorme no tempo de identificação das espécies", explica Schubert Carvalho, coordenador do projeto. Esta praticidade, segundo Carvalho, é pioneira no mundo. "Há um sistema parecido nos EUA, mas o botânico precisa estar conectado a uma rede Wi-Fi ou 4G", completa.

O sistema permite ainda ao botânico saber se a espécie encontrada está no banco de dados do Reflora, programa do governo brasileiro, que conta com o apoio da Vale, e que tem como objetivo resgatar e disponibilizar em formato digital imagens e informações da flora brasileira depositados em herbários estrangeiros. O herbário virtual do Reflora traz informações de 640 mil amostras de plantas coletadas por missões estrangeiras que visitaram o país nos séculos XVIII, XIX e XX.

Em desenvolvimento desde outubro de 2013, o Digital Plants poderá ser utilizado como ferramenta auxiliar no trabalho de licenciamento ambiental, na etapa de levantamento da flora de áreas passíveis de mineração. A Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Universidade do Estado de São Paulo (UNESP) são parcerias no projeto. Segundo Carvalho, a atual base de dados do Digital Plants consegue identificar 11 espécies de plantas da região de canga, vegetação rasteira, típica de regiões onde afloram depósitos de minério de ferro. Entre essas, destacam-se três espécies endêmicas de Carajás do gênero Ipomoea L.(Convolvulaceae): Ipomoea carajasensis, Ipomoea cavalcantei (Flor de Carajás) e Ipomoea marabaensis.

"Se essas plantas não estiverem na época da floração, fica muito difícil fazer a sua identificação, porque as folhas são muito parecidas. Como o Digital Plants analisa o contorno da folha por meio de sua imagem, a floração deixa de ser um problema imediato", afirma o pesquisador. Segundo Carvalho, a eficácia de identificação atual do sistema é de 83%, mas essa acurácia pode ainda melhorar com o uso de novos algoritmos de classificação. Atualmente, o grupo de pesquisa está trabalhando para aumentar a base de dados para até 50 espécies de plantas da região de Carajás.

 

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