Memorial em homenagem às vítimas do rompimento

Sobre a Vale

08/07/2020

Memorial em homenagem às vítimas do rompimento


Um Memorial será erguido em Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), para reverenciar e homenagear aqueles que perderam suas vidas no rompimento da barragem I, no dia 25 de janeiro de 2019. O espaço será um local repleto de valor simbólico, principalmente para as famílias, mas também para a cidade de Brumadinho e toda a sociedade, assim como para a Vale e para todo o setor de mineração.

A primeira das reuniões com as famílias ocorreu em junho do ano passado. “Temos empenhado todo o nosso conhecimento e a nossa experiência na área museal para mobilizar profissionais competentes e de grande sensibilidade para apoiar os familiares nesse processo. Por sua excepcionalidade e valor simbólico, a iniciativa vai contribuir para que o local escolhido pelas famílias para o memorial seja reconhecido como um sítio de memória sensível. Um espaço que se refere a um evento reconhecido como extremamente doloroso, e que, portanto, precisa ser lembrado e analisado com coragem, para que não volte a acontecer”, reflete Hugo Barreto, Diretor de Sustentabilidade e Investimento Social.

Histórico

O projeto do Memorial se desenvolve a partir desse processo de diálogo e da escuta ativa dos desejos e expectativas das famílias. A Vale facilita o processo, promovendo a ponte entre a Avabrum e os profissionais da área museal além de atuar, também, como financiadora de todas as etapas, consciente de que esse será um espaço concebido especialmente para os familiares das vítimas.

Nos encontros periódicos outras demandas das famílias também são tratadas. Mas o tema Memorial sempre se fez presente, com a Avabrum trazendo informações e elementos que passam a incorporar o projeto. Tais informações serviram de base para a elaboração do termo de referência encaminhado pela Vale aos escritórios de arquitetura que participaram do processo concorrencial para elaboração da concepção arquitetônica.


Local do Memorial

As famílias solicitaram que o terreno escolhido para o Memorial permitisse avistar a área por onde o rejeito passou, ocasionando a perda de 272 vidas. Após visitas aos locais apontados, análises preliminares por imagens de satélite e dados geoespaciais, a área foi selecionada pelos familiares e adquirida pela empresa. Estavam presentes no momento da decisão, além da Avabrum (únicos com poder de voto na reunião), representantes da Advocacia Geral do Estado de Minas Gerais, da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, da Secretaria Estadual de Saúde/Vigilância Sanitária, do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos/Fundação Estadual do Meio Ambiente, do Comitê Gestor Pró-Brumadinho, assim como autoridades do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, da Polícia Civil estadual e da Secretaria de Turismo e Cultura de Brumadinho.

Trata-se de um terreno de 67 hectares, sendo que o Memorial em si ocupará uma área de cerca de nove hectares, o equivalente a nove campos de futebol. Alguns dos principais fatores que levaram as famílias a optar por este terreno é sua proximidade com a área central de Córrego do Feijão, além da possibilidade de ver-se com facilidade a área atingida pelo rompimento.

Premissas para a definição do projeto do Memorial

O processo seguiu seu curso, sempre levando em conta o tempo das famílias. Todas as decisões sempre respeitaram esse fator. Definida e adquirida a área, o passo seguinte do projeto foi a escolha de um projeto conceitual de arquitetura que resultasse num espaço que prestasse uma homenagem sensível e respeitosa às vítimas e que acolhesse familiares, amigos e visitantes, apontando para a ideia de reconstrução da vida de forma responsável e esperançosa.

Outra preocupação foi com a sustentabilidade ambiental do projeto, uma demanda trazida pela Avabrum. As construções necessárias devem impactar o mínimo possível o meio ambiente.

Escolha do projeto arquitetônico

O processo de seleção se deu a partir do termo de referência e contou com o apoio técnico da arquiteta e urbanista Jurema de Sousa Machado, ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e do museólogo Marcelo Mattos Araújo, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).

Em março de 2020, quatro arquitetos de renome nacional foram convidados a apresentar suas propostas. Foram eles:

  • Gustavo Penna, membro do Conselho Curador da Fundação Oscar Niemeyer e da Fundação Dom Cabral. Entre suas principais obras estão o Museu de Congonhas, a Galeria de Atelier Wals, o Museu da Imigração Japonesa e a Fundação Zerrenner;
  • Thiago Bernardes, conhecido por uma arquitetura refinada e de alto padrão, que combina uso residencial com programas culturais como museus. Ele foi o arquiteto responsável pelo MAR (Museu de Arte do Rio);
  • Rizoma, da arquiteta Maria Paz, reconhecida pelo projeto de algumas galerias do Museu Inhotim;
  • Mach Arquitetos, tendo à frente Fernando Maculan e Mariza Coelho que, entre outras, são os responsáveis pelo projeto de Território-Parque em Córrego do Feijão, além da Sede do Grupo Galpão, do Café e Arquivo Museu Mineiro e da Cozinha Escola do Mercado Central de Belo Horizonte.


Sobre o projeto vencedor

O projeto foi pensado para gerar no visitante uma experiência de reflexão sobre a memória e a dor que o rompimento causou. Ao arvoredo original do terreno será incorporada a plantação de 272 ipês-amarelos, árvore símbolo do Brasil, como sinal de respeito e culto à memória de cada uma das vidas ali perdidas.

O Memorial Brumadinho terá cerca de 1.500 m² de área construída, integrado a um amplo jardim. O monumento será erguido em um terreno de nove hectares escolhido pela Avabrum e adquirido pela Vale, que também é responsável por contribuir tecnicamente e viabilizar a construção do espaço.



A entrada no Memorial será constituída por um pavilhão com forma distorcida e fragmentada, que representará os sonhos das vítimas. A invasão da lama será simbolizada por um ambiente escuro, iluminado apenas por frestas de luz no teto. A cada dia 25 de janeiro, exatamente às 12h28, dia e horário precisos do rompimento, um facho de luz irá cortar o ar e iluminar uma drusa de cristais, conjunto de joias arranjadas pela natureza.



O Memorial também contará com um Monumento às Vítimas Fatais, uma grande cabeça em formato de um quadrado instável, representando o sentir e o chorar - os gestos mais humanos de quem se depara com o impacto da perda – que serão transformados em trajetória, pois sob ele haverá um percurso em forma de fenda escavada com os nomes das vítimas, dispostos para sejam desvelados pelos visitantes, na medida em que caminham. "Este espaço vai possibilitar uma experiência sensível, individual e compartilhada, dando voz e forma àquilo que não esquecemos", explica o arquiteto Gustavo Penna.



Os projetos dos arquitetos Gustavo Penna e Maria Paz foram escolhidos para uma etapa final, realizada por meio de votação online (devido à necessidade de distanciamento social para combate à pandemia de Covid-19) nos dias 25 e 26 de março. Saiu vencedor o escritório do arquiteto Gustavo Penna.



Este espaço vai possibilitar uma experiência sensível, individual e compartilhada, dando voz e forma àquilo que não esquecemos

Explica o arquiteto Gustavo Penna.
Próximos passos

A contratação do escritório do arquiteto foi realizada pela Vale para desenvolvimento dos projetos executivos de arquitetura, engenharia e complementares. Com os projetos elaborados, será possível contratar a execução das obras. A pedido da AVABRUM, o projeto e as obras serão executados em duas etapas, de modo a poder acomodar, no Memorial, o quanto antes e respeitando todos os padrões técnicos, os segmentos corpóreos que se encontram atualmente acondicionados no Instituto Médico Legal de Belo Horizonte.

Também está sendo tratado com a AVABRUM os encaminhamentos necessários para desenvolvimento do conteúdo e do acervo do Memorial - histórias de vida das vítimas - para futura elaboração da expografia do local.

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Memorial em homenagem às vítimas do rompimento