Reparação e desenvolvimento

Biodiversidade

Biodiversidade na bacia do rio Paraopeba

A recuperação do rio Paraopeba e de sua biodiversidade é um dos compromissos da Vale no trabalho de reparação. Por isso, desde o rompimento da barragem B1, em Brumadinho, medidas de curto, médio e longo prazos estão sendo realizadas.

Nesta página, você irá conhecer as iniciativas de monitoramento e reparação voltadas para a biodiversidade terrestre e aquática.

Andorinha-de-coleira (Pygochelidon melanoleuca)
Foto: Gabriele Silva

Monitoramento

O monitoramento da biodiversidade é realizado de maneira permanente por empresas especializadas na área de meio ambiente, biólogos, auxiliares de campo e médicos veterinários, com a coordenação de professores universitários. Ao todo, são estudados 35 pontos para a biodiversidade aquática e 20 áreas para a biodiversidade terrestre, que contemplam regiões não afetadas, áreas afetadas em menor intensidade e áreas severamente afetadas pelos rejeitos.

Também são analisadas a fauna e a flora em algumas lagoas marginais e nos principais afluentes do rio Paraopeba.

Ao expandir o monitoramento para locais não afetados é possível avaliar as condições ambientais e o real impacto do rompimento sobre a biodiversidade.

É com base nessas análises constantes que compreendemos os impactos e podemos entender quais as melhores ações a serem tomadas em prol da flora e fauna locais

Assista ao vídeo abaixo para saber como é feito o monitoramento

Fique por dentro das nossas iniciativas na região

O Guardião das Sementes

O Guardião das Sementes: Conheça o morador de Brumadinho que ajudou a coletar 600 kg de frutos e sementes de 80 espécies nativas para recuperar biodiversidade na região

Com calma, de semente em semente. É assim que o morador de Brumadinho (MG) Salvador da Silva, de 56 anos, nascido em Minas Novas, interior do estado, pretende ajudar a restaurar a floresta e a biodiversidade em toda a área impactada pelo rompimento da barragem B1.

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Homem agachado em meio à vegetação do entorno do Rio Paraopeba segura um peixe com as mãos
Foto: Arquivo Vale

Biodiversidade Aquática

Atualmente, a área de estudo das comunidades aquáticas no rio Paraopeba vai desde a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) de Salto do Paraopeba, em Jeceaba, até depois da represa de Três Marias.

Após estudos de especialistas de instituições governamentais, foram selecionados 35 pontos para o monitoramento aquático, em áreas afetadas e não afetadas.

O que é monitorado?

No rio, monitoramos os peixes, insetos aquáticos e organismos microscópicos vegetais e animais, conhecidos como plâncton, utilizando os seguintes métodos:

  • Coleta de sedimento do fundo com equipamentos específicos, como a draga;
  • Coleta manual de pedras e folhas que estão no fundo;
  • Rede de arrasto para coleta de plâncton;
  • Coleta de plantas aquáticas, as chamadas “macrófitas”;
  • Coleta de peixes com redes, tarrafas e outros equipamentos.
Mulher com rede de pesca
Foto: Arquivo Vale

A reparação até aqui

No final de dezembro de 2019, a Vale iniciou o Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática, seguindo as diretrizes apresentadas pelo Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF).

A reparação até aqui

Em 2020, foi feita a remoção dos rejeitos na foz do ribeirão Ferro Carvão, desde a Ponte Alberto Flores até a confluência do ribeirão Ferro Carvão com o rio Paraopeba. Também foi feita a estabilização das margens do ribeirão e a reconstituição da sua calha;

Pesquisador segurando um peixe
Foto: Arquivo Vale

Peixes

Para estudar as espécies, são coletadas amostras através de tarrafas, redes de espera, redes de arrasto e peneiras. Após a coleta, os peixes são processados, etiquetados, têm seus dados biométricos registrados e são estudados em laboratórios.

Os peixes da bacia do rio Paraopeba também são acompanhados durante a piracema, período em que se reproduzem. Desta forma, quando os cardumes nadam contra a correnteza para liberar os ovos, entre os meses de novembro e fevereiro, eles são monitorados com o objetivo de detectar possíveis alterações na reprodução dos peixes.



Analytics Quais tipos de análises são realizados?
  • Análises histopatológicas –Procedimento realizado para avaliar possíveis enfermidades ou danos aos peixes em função da exposição ao rejeito oriundo do rompimento.
  • Avaliação da helmintofauna – Este procedimento avalia a presença de parasitos como bioindicadores para o monitoramento do impacto ambiental.
  • Bioacumulação de metais – Procedimento no qual os animais passam por identificação, biometria e retirada do músculo e do fígado, para verificar a presença de metais como: alumínio, cobre, ferro, chumbo, zinco, entre outros. Ou seja, verificamos se existem altas concentrações de determinada substância química nos organismos do nível mais elevado da cadeia alimentar;
  • Toxicologia e genotoxicidade em peixes e invertebrados aquáticos – estudos científicos que analisam os efeitos de substâncias químicas sobre os organismos e sua capacidade em induzir alterações no material genético dos animais que foram expostos a elas.

Importante

Em 28 de fevereiro de 2019, a pesca de espécies nativas foi proibida na bacia do rio Paraopeba, pela portaria nº 16 editada pelo IEF, e assim segue até a publicação de nova portaria.

Frasco de água com colonias de planctons
Foto: Arquivo Vale

Comunidades planctônicas

A equipe técnica também estuda as comunidades planctônicas (formadas por diferentes microrganismos), que possuem alguns bioindicadores importantes. Esses bioindicadores são sensíveis à poluição e nos ajudam a verificar se os parâmetros físicos, químicos e biológicos da água do rio estão adequados. As coletas desses microrganismos são realizadas com redes de plâncton e as análises são feitas em laboratório, através do uso de microscópio.

Quais são os bioindicadores estudados?

Biota aquática da bacia do córrego Ferro-Carvão

Como parte do monitoramento, acompanhamos a biota aquática, ou seja, o conjunto de seres vivos aquáticos, da bacia do córrego Ferro-Carvão. Para isso, estudamos diferentes grupos de animais, incluindo invertebrados aquáticos e peixes.

Para a coleta de amostras de peixes, foram definidos 10 pontos nos afluentes do córrego. Já para a coleta de invertebrados aquáticos, são amostrados três córregos da bacia do Ferro-Carvão e outros cursos d’água em bacias próximas com características hidrológicas semelhantes. Esse monitoramento busca avaliar a eventual perda de interação, também chamada de perda de conectividade da ictiofauna, entre as espécies existentes na bacia do Ferro-Carvão.

Pesquisadores com redes de pesca
Foto: Arquivo Vale

Biodiversidade terrestre

Nas áreas de mata, na bacia do ribeirão Ferro-Carvão e às margens do rio Paraopeba, as equipes técnicas analisam o ciclo dos nutrientes na natureza, a polinização de plantas, a dispersão de sementes nativas e várias espécies de animais ali presentes. Os principais métodos de estudo utilizados são:

Seta

Passe o mouse e conheça os principais métodos de estudo utilizados

Seta

Clique e conheça os principais métodos de estudo utilizados

Levantamento e monitoramento de populações de cágado-de-barbicha (Phrynops geoffroanus), capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), e de espécies ameaçadas de extinção: andorinha-de-coleira (Pygochelidon melanoleuca), borboleta ribeirinha (Parides burchellanus), e lontra (Lontra longicaudis);

Amostragem de invertebrados terrestres;

Abertura de trilhas e transectos com instalação de armadilhas de queda, do tipo pitfall, para amostragem da Herpetofauna e Mastofauna;

Instalação de armadilhas de captura viva para amostragem de pequenos mamíferos não-voadores, redes de neblina para a amostragem de morcegos e pontos de amostragem para aves de interior de mata;

Marcação e amostragem de parcelas botânicas para acompanhamento dos parâmetros fitossociológicos (ou seja, o estudo da comunidade de plantas, sua composição florística e estrutura da vegetação);

Coleta de sangue e pelo de animais silvestres para estudos laboratoriais.

A reparação até aqui

Mais de 500 mil metros de cerca foram colocados nas Áreas de Preservação Permanente (APP) da bacia do rio Paraopeba, medida importante para garantir o crescimento da vegetação presente em espaços próximos a cursos d'água;

A reparação até aqui

Uso de técnicas de bioengenharia para recuperar o solo e controlar a erosão;

A reparação até aqui

Mais de 65 animais silvestres devolvidos à natureza de forma cuidadosa e em conformidade com os procedimentos técnicos e legais adequados;

A reparação até aqui

Mais de 200 profissionais, entre biólogos, veterinários, engenheiros ambientais e auxiliares de campo dedicados ao resgate dos animais, cuidado e preparação para a reintegração à natureza;

A reparação até aqui

Execução do projeto de revegetação no Marco Zero, que plantará 4.000 mudas de espécies nativas da região;

A reparação até aqui

Cerca de 1.500 animais domésticos e silvestres abrigados e cuidados na Fazenda Abrigo de Fauna em Brumadinho.

Animais domésticos
Animais silvestres

Animais domésticos

Animais domésticos também foram impactados pelo rompimento da barragem B1. Cães, gatos e animais de produção foram resgatados das áreas atingidas, em residências nas comunidades ou deixados por doação voluntária. Além do abrigo, nossa equipe técnica oferece todos os cuidados necessários e os animais que não têm tutor são disponibilizados para adoção.

Conheça-os e saiba como adotá-los

Cachorro levantando a pata
Foto: Arquivo Vale

Animais silvestres

Os animais silvestres - como aves, cobras, cágados, gambás, entre outros – encontrados nas áreas das obras emergenciais são capturados e avaliados clinicamente. As ações de resgate e salvamento são realizadas respeitando todos os protocolos e medidas de captura e contenção, de acordo com o grupo de fauna ao qual ele pertence (anfíbios, repteis, aves ou mamíferos). Todos os procedimentos visam garantir o bem-estar e segurança da fauna manejada, buscando sempre a melhor destinação para cada indivíduo. Se os animais apresentam boas condições, eles são soltos imediatamente no seu habitat natural. Caso necessitem de tratamento veterinário que exija algum período de internação, são encaminhados para a Fazenda Abrigo de Fauna (FAF), em Brumadinho/MG, onde são abrigados em recintos ambientados que respeitam as especificidades da sua biologia e ecologia.

Aves
Foto: Arquivo Vale

Esses animais contam com o acompanhamento de especialistas que realizam diversos procedimentos como: exames laboratoriais, alimentação balanceada para auxiliar na recuperação física e comportamental, capacitação muscular, entre outros. Eles ainda podem ser encaminhados para o Programa de Reabilitação e Soltura de Fauna Silvestre, onde são realizados testes e treinamentos para o desenvolvimento de capacidades e habilidades de sobrevivência em ambiente natural.

Depois de reabilitados, os animais em boas condições são reintegrados ao seu ambiente natural. Os que não possuem capacidade de reabilitação ou soltura são encaminhados para uma instituição que seja capaz de manter o seu bem-estar físico e psicológico durante toda a sua vida em cativeiro, como criadouro, mantenedouro ou jardim zoológico. Todas essas ações estão em conformidade com as normas ambientais vigentes e são autorizadas pelo órgão ambiental.

Animais silvestres exóticos

Os animais silvestres exóticos resgatados e/ou capturados passam pelos mesmos cuidados veterinários, porém, não são reintroduzidos na natureza. Após o tratamento realizado, a Vale decide junto ao órgão ambiental qual é o melhor destino para o animal exótico.


Lago
Foto: Arquivo Vale

Monitoramento Botânico

Para avaliar se houve impacto à vegetação para além da área diretamente atingida pelo rejeito, são feitos estudos botânicos que monitoram, entre outras coisas, as possíveis modificações na estrutura da vegetação e na diversidade de espécies.

Para esse monitoramento, são feitas marcações em parcelas instaladas em áreas de mata próximo à mancha de rejeito e, também, em áreas distantes do rejeito para fins de comparação. Esses locais são acompanhados ao longo do tempo para verificar se a proximidade com o rejeito irá gerar algum impacto no longo prazo e, em caso positivo, quais as melhores medidas de mitigação.

Recuperação de espécies vegetais

A vegetação impactada está recebendo uma contribuição da tecnologia para sua recuperação. Uma técnica desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), capaz de resgatar o DNA e criar cópias das plantas da região, começou a ser aplicada para a reabilitação florestal da área. Árvores que poderiam levar mais de oito anos para florescer devem iniciar esse processo entre seis e 12 meses, o que contribuirá para acelerar a recuperação da biodiversidade da região. Já foram recolhidos materiais genéticos de cinco espécies pré-selecionadas, incluindo espécies ameaçadas de extinção, como o Stephanopodium engleri, a braúna (Melanoxylon brauna) e a caviúna (Dalbergia nigra) e protegidas por lei, como o ipê amarelo (Handroanthus serratifolius). Parte das mudas produzidas a partir do material resgatado foram plantadas na área impactada nos primeiros meses de 2021.

Pesquisador segurando planta
Foto: Arquivo Vale

Revegetação – Projeto Marco Zero

Em dezembro de 2020, a Vale finalizou a primeira etapa do projeto Marco Zero, que envolveu trabalhos de restauração florestal como: coleta de sementes, produção de mudas, aclimatação e plantio nas áreas a serem recuperadas na foz do ribeirão Ferro-Carvão. Outras técnicas de restauração ecológica utilizadas foram a nucleação (que forma microhabitats propícios para atrair espécies e acelerar o processo de sucessão e diversidade local), por meio da instalação de poleiros artificiais e a transposição de solo; que também contribuirão para o processo de recuperação no médio prazo. Ao final dos trabalhos de recuperação, a área do Marco Zero contará com cerca de 4.000 mudas de espécies arbóreas nativas da região.

Galeria de fotos


Bando de andorinhas-de-coleira (Pygochelidon melanoleuca). Foto: Afonso Carlos Oliveira
Bando de andorinhas-de-coleira (Pygochelidon melanoleuca). Foto: Afonso Carlos Oliveira
Phyllomedusa burmeisteri (rã-das-folhas), anfíbio registrado durante monitoramento da biodiversidade. Foto: Hans Thomassen.
Phyllomedusa burmeisteri (rã-das-folhas), anfíbio registrado durante monitoramento da biodiversidade. Foto: Hans Thomassen.
Scinax luizotavioi (pererequinha), anfíbio registrado durante monitoramento da biodiversidade. Foto: Hans Thomassen.
Scinax luizotavioi (pererequinha), anfíbio registrado durante monitoramento da biodiversidade. Foto: Hans Thomassen.
Dendropsophus elegans (perereca-de-moldura), anfíbio registrado durante o monitoramento da biodiversidade. Foto: Hans Thomassen.
Dendropsophus elegans (perereca-de-moldura), anfíbio registrado durante o monitoramento da biodiversidade. Foto: Hans Thomassen.
Enyalius bilineatusI (camaleãozinho), lagarto registrado durante o monitoramento da biodiversidade. Foto: Hans Thomassen.
Enyalius bilineatusI (camaleãozinho), lagarto registrado durante o monitoramento da biodiversidade. Foto: Hans Thomassen.
Boana lundii (perereca-de-Lund), anfíbio registrado durante o monitoramento da biodiversidade. Foto: Hans Thomassen.
Boana lundii (perereca-de-Lund), anfíbio registrado durante o monitoramento da biodiversidade. Foto: Hans Thomassen.
Pegadas de lontra (Lontra longicaudis). Foto: Ana Yoko Meiga.
Pegadas de lontra (Lontra longicaudis). Foto: Ana Yoko Meiga.
Micronycteris megalotis, morcego registrado durante o monitoramento da biodiversidade. Foto: Jeanneson Sales. Micronycteris
Micronycteris megalotis, morcego registrado durante o monitoramento da biodiversidade. Foto: Jeanneson Sales. Micronycteris
Artibeus lituratus, morcego registrado durante o monitoramento da biodiversidade. Foto: Jeanneson Sales. Artibeus
Artibeus lituratus, morcego registrado durante o monitoramento da biodiversidade. Foto: Jeanneson Sales. Artibeus
Cuíca-graciosa (Gracilinanus agilis), capturada e solta após a instalação do brinco de identificação. Foto: Rodolfo Stumpp.
Cuíca-graciosa (Gracilinanus agilis), capturada e solta após a instalação do brinco de identificação. Foto: Rodolfo Stumpp.
Cágado-de-barbicha (Phrynops geoffroanus), capturado e solto após marcação, para o monitoramento populacional. Foto: Aline Costa.
Cágado-de-barbicha (Phrynops geoffroanus), capturado e solto após marcação, para o monitoramento populacional. Foto: Aline Costa.
Capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris) na margem do rio Paraopeba. Foto: Ana Yoko Meiga.
Capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris) na margem do rio Paraopeba. Foto: Ana Yoko Meiga.

Saiba como funciona a fiscalização

As atividades estão sendo executadas em pleno acordo com a legislação e são acompanhadas por meio de reuniões, visitas de campo e relatórios por diversos órgãos públicos. Nenhuma ação é executada sem a autorização das instituições competentes abaixo.

  • Instituto Estadual de Florestas – IEF
  • Ministério Público de Minas Gerais – MPMG
  • Instituto Mineiro de Gestão de Águas - IGAM
  • Fundação Estadual de Meio Ambiente – FEAM
  • Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SEMAD
  • Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA
  • Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio

Conheça os parceiros da Vale

Além do time de especialistas trabalhando em campo, contamos com a orientação e acompanhamento de pesquisadores e professores das seguintes instituições parceiras:

  • Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG
  • Universidade Federal de Viçosa – UFV
  • Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP
  • Universidade Estadual de Minas Gerais – UEMG
  • Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF
  • Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM
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