De Paul até os píeres I e II: conheça a história dos terminais que revolucionaram as exportações da Vale
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23/03/2016

De Paul até os píeres I e II: conheça a história dos terminais que revolucionaram as exportações da Vale

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Foto histórica do Porto de Tubarão na década de 60
Foto histórica do Porto de Tubarão na década de 60

Hoje os píeres I e II da Vale no complexo de Tubarão são os terminais dedicados exclusivamente ao embarque de minério e pelotas. Por eles são exportadas mais de 100 milhões de toneladas destes produtos por ano, mas nem sempre foi assim..

Construção do Porto de tubarão em 1964
Construção do Porto de tubarão em 1964

A história da Vale no estado, no que tange a exportação de minério, começou antes mesmo de o Complexo de Tubarão existir, com os terminais no morro do “Pela Macaco” e Porto de Paul nos anos 40, próximo ao atual Terminal de Vila Velha. ”Nessa época, o minério chegava às vezes em forma de pedra. Os trens paravam acima do porto, abriam sua comporta lateral e todo minério rolava pela canaleta instalada em um local íngreme, que guiava os grãos para o porão do navio. O minério que caia desta canaleta era recolhido e embarcado manualmente pelos empregados. Na época, meu pai trabalhava aqui e eu morava logo aqui do lado, em Sotema. Sempre que podia, eu vinha caminhando para o colégio por dentro do pátio da Vale, entre as pilhas de minério, que na época ficava aberto mesmo”, conta o hoje técnico de área portuária dos píeres I e II, Ivomar Félix.

Jornal A Gazeta de 1º de abril de 1966
Jornal A Gazeta de 1º de abril de 1966

O que hoje conhecemos com Complexo de Tubarão teve como pedra fundamental o primeiro terminal dedicado a exportação de minério. Inaugurado em 1º de abril de 1966, o píer I inaugurava também um marco importante na estratégia de exportação da Vale que buscava atender a crescente demanda mundial por minério na época. “A instalação nessa região, permitia a Vale embarcar um volume muito maior que em Paul”, comentou Ivomar. Idealizado por Eliezer Batista, o Terminal poderia receber navios com capacidade para transportar até 150 mil toneladas de minério, ainda que naquela época a frota mundial não passasse de 60 mil toneladas.

As obras compreenderam a construção de um quebra mar, um cais de atracação, entroncamento de ligação com o continente, no qual foram utilizadas as instalações para movimentação e estocagem de minério de ferro e carvão, pátio ferroviário e instalações para manutenção de material rodante. Havia um virador de vagões, uma empilhadeira, um carregador de navios e um pátio com capacidade de estocagem para 1 milhão de toneladas. Hoje essa capacidade já foi ampliada para 4 milhões. “Me lembro que na época havia um carregador para os dois berços do píer. Ele era bem menor que os de hoje e era preciso ficar alternando seu uso. Hoje temos um carregador de navio (CN) por berço e podemos carregar dois navios ao mesmo tempo. Se necessário, podemos colocar os dois equipamentos em função de uma única embarcação também”, explica Ivomar.

 
Malaquias
Ivomar Félix, conhecido como Malaquias (Foto: Tatiana Barcellos)

O píer II veio logo depois. Inaugurado em 1973, preparado para responder à demanda mundial por minério de ferro. Atualmente tem calado de 23 metros e é o único preparado para receber navios do porte dos Valemax, que suportam até 400 mil toneladas. Com seus equipamentos, apenas este píer tem capacidade de carregamento de 16 mil toneladas por hora e recebe cerca de 20 navios por mês.

Já o píer I tem capacidade de 27 mil toneladas por hora e pode carregar até dois navios ao mesmo tempo. “Quando cheguei pra trabalhar aqui em 2011, me surpreendi com a grandiosidade da operação e a capacidade de transformação da Vale: os enormes equipamentos, o dinamismo, é tudo imenso e bem estruturado”, conta o engenheiro de operações Cristiano Bronzoni, que trabalha atualmente com monitoramento dos processos de embarque e melhorias operacionais no Porto de Tubarão.

Cristiano Bronzoni (Foto: arquivo pessoal)
Cristiano Bronzoni (Foto: arquivo pessoal)

Os dois píeres estão passando por adequações e melhorias nos controles ambientais e nos últimos anos receberam aspersores voltados para as correias transportadoras, melhorias no sistema de raspagem desses equipamentos, vedação de estruturas e ainda revitalização de sua drenagem, entre outras mudanças. O objetivo é mitigar ao máximo as possíveis emissões provenientes de nossas operações e evitando qualquer transtorno ao meio ambiente. Cristiano conta ainda que o Porto continua crescendo e aperfeiçoando seus processos: “Estamos buscando cada vez mais automatizar a rotina operacional, capturando ganhos em produtividade e na segurança dos empregados”.

 
 
 
 
Pátio de estocagem em 1966. Veículos podiam entrar no local
Pátio de estocagem em 1966. Veículos podiam entrar no local (Foto: Arquivo)

A segurança também é um tema considerado destaque pelo Ivomar. “Isso com certeza foi uma mudança histórica no Porto. Logo no início de sua instalação era comum ver homens arrastando cabos de equipamentos de grande porte pelo pátio, fazia sol ou chuva, as correias transportadoras eram baixas, os EPIs não eram tão completos como hoje e o bloqueio de equipamentos não existia, o que algumas vezes até ocasionava acidentes. Eu era criança e vinha para a Vale acompanhando meu pai, que era operador de recuperadora, cargo que vim ocupar aqui também em 84, um ano após a aposentadoria do meu pai. Hoje tudo isso é inimaginável, segurança é prioridade e valor e contamos com muita orientação e tecnologia neste sentido”, conclui Ivomar.

Porto de Tubarão atualmente (Foto: Mosaico Imagem)
Porto de Tubarão atualmente (Foto: Mosaico Imagem)
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De Paul até os píeres I e II: conheça a história dos terminais que revolucionaram as exportações da Vale