Iniciativas

Determinação para vencer no campo


Noeme Rodrigues não nasceu em Parauapebas, mas assim como muitos que vivem no município, faz parte da história do lugar. Junto com outros nove irmãos, a agricultora cresceu na zona rural de Sítio Novo, Maranhão. Hoje, aos 59 anos, é uma das lideranças da comunidade Nova Esperança (Juazeiro) e presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Acampamento Nova Esperança, que conta com mais de 80 famílias associadas. Sua trajetória se confunde com a de muitas outras pessoas que escolheram Parauapebas como lar e decidiram buscar melhores condições de vida.

Desde pequena, o trabalho na roça fez parte da rotina de Noeme. As dificuldades da infância e da adolescência ainda estão marcadas, não apenas em sua memória, mas nas mãos calejadas de quem por anos tirou da terra o próprio sustento. “Além de trabalhar na roça, quase todo dia eu pegava água a quilômetros de distância da minha casa e ainda tinha que carregar bacia de roupa lavada na cabeça”. As tarefas diárias consumiam não apenas suas energias, mas a distanciava cada vez mais de seu maior sonho: concluir os estudos.

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Esse desejo foi determinante para que Noeme, aos 16 anos, tomasse a decisão de abandonar a zona rural. “Eu pensei: não vou ficar aqui mais não. Vou é estudar. Fui trabalhar na casa dos outros na cidade para conseguir o pouco estudo que tenho. Cursei até o 1º ano do 2º grau”, relata. Foi, então, que ela ganhou o primeiro de seus dois filhos, um estímulo a mais para continuar em busca das tão sonhadas oportunidades.

Noeme tentou a vida em diversos municípios e até em outros estados. Arrumar seus pertences, embarcar num ônibus e partir para outra terra representava muito mais do que mudar de endereço. Significava encerrar um ciclo, realimentar expectativas e recarregar as esperanças. E foi assim que, em 1994, ela desembarcou em Parauapebas. “Cheguei aqui, fiquei observando o clima e pensei: se for para ganhar o pão não é preciso ficar atravessando o mundo de um lado para outro. Vou viver aqui”, recorda. Sempre movida pelo desejo de conseguir seu próprio pedaço de chão e retomar sua vocação para a agricultura, por anos Noeme ganhou a vida vendendo refeições na cidade. O retorno ao campo ocorreu apenas em 2009, quando adquiriu seu atual lote. Desde então, a agricultora divide seu tempo entre plantar em sua propriedade e trabalhar junto com a comunidade para alcançar benefícios para mais de 80 famílias de produtores rurais.


Uma comunidade em transformação

Os frutos desse esforço coletivo começaram a ser colhidos quando Nova Esperança foi uma das cinco localidades rurais de Parauapebas selecionadas pela Vale, em 2015, para o desenvolvimento de projetos de geração de renda e fomento da agricultura familiar. Por meio da parceria, a comunidade recebeu uma patrulha mecanizada composta por 10 implementos, teve a sede da associação comunitária reformada e ganhou um galpão destinado aos equipamentos agrícolas. O processo seletivo da empresa levou em consideração a importância do projeto para o produtor rural e sua capacidade de promover o desenvolvimento sustentável nas regiões onde a empresa atua. No caso de Nova Esperança, a Vale entendeu que as obras realizadas e a doação dos maquinários agrícolas irão colaborar para que a comunidade caminhe nessa direção.

Modernização do processo produtivo

Os agricultores da comunidade ganharam muito mais do que novas ferramentas de trabalho. Os bens adquiridos significam um novo modelo produtivo no lugar de técnicas mais antigas de plantio, em que todas as etapas do trabalho eram realizadas com a força das mãos. Adotar maquinário no processo de preparação do solo, cultivo e colheita exigiu capacitação dos agricultores, especialmente para manuseio dos equipamentos.

Os benefícios da patrulha mecanizada para a comunidade são muitos. Noeme aponta a redução nos custos de produção e o menor tempo gasto em todas as etapas do trabalho como os mais significativos. “Estamos buscando uma agricultura familiar mais produtiva. Esse conjunto de equipamentos e instalações vai permitir o crescimento do plantio, envolver mais pessoas no trabalho e trazer mais renda para a comunidade. Até mesmo para o município”. Otimista, Noeme também acredita que, muito em breve, suas mãos calejadas pelo trabalho no campo não passarão de mais uma lembrança.


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