Incentivo da Vale irriga vida de agricultores em Parauapebas

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Incentivo da Vale irriga vida de agricultores em Parauapebas


Em pleno mês de setembro, o agricultor, Luís Carlos Oliveira Campos, 53 anos, abre a janela do quarto e vê o pasto do sítio Mata Verde, localizado em Palmares II, zona rural de Parauapebas, verdinho a perder de vista. Os cinco alqueires de terra conquistadas ao longo de muita luta, como assentado, na época do fim do garimpo de Serra Pelada, finalmente tem capacidade de produção de leite de qualidade mesmo no período mais seco do ano para sustentar a família de cinco filhos e doze netos.

Contemplado no projeto Leite a Pasto ao lado de outras 52 famílias da Associação dos Produtores Rurais de Parauapebas (Assopar), das comunidades Palmares Sul e II, o agricultor viu a mudança brotar da terra. Com incentivo da Vale e da Fundação Vale, o grupo adquiriu recursos e assistência técnica para implantar kits de irrigação e o sistema de produção de gado rotacionado, métodos implantados para aumentar o potencial agrícola dos produtores da região.



Só no sítio Mata Verde, Luís multiplicou os resultados, e hoje consegue extrair 173 litros de leite por dia – média de 10,8 litros por animal. No passado, esse número não passava de 40 litros, com 19 bovinos. Isso significa muitas conquistas. Além de produzir mais, gastando menos, o produtor ganhou mais autonomia, viu a renda familiar crescer, construiu a tão esperada casa de alvenaria e participa hoje de uma comunidade mais organizada entorno do bem coletivo.

“Mudou praticamente tudo, porque quando você pega um dinheirinho a mais, você consegue produzir mais. Depois que comecei a melhorar de vida, aumentei o pasto, que antes eu não podia, porque precisa de dinheiro para investir. Minha origem é a agricultura. Meu sonho sempre foi viver da minha terra. E é isso que estou realizando hoje”, disse.

Em três anos de projeto, os agricultores entenderam que não é só de quantidade de animal que se tem boa produção de leite, mas acima de tudo, do conhecimento, o bom uso da tecnologia e a organização da comunidade. Com apoio da Vale, os produtores avançaram e criaram a Palmares Coop, cooperativa criada com intuito de dar sustentabilidade aos projetos implantados, prestando apoio a todos os produtores na aquisição dos insumos, no suporte técnico e no compartilhamento do equipamento adquiridos, que inclui três máquinas refrigeradoras, um trator de esteira e em breve, o galpão dos cooperados e um caminhão para transportar leite.

No sítio do Luís Carlos, por exemplo, fica uma das três máquinas refrigeradoras compradas com recursos do projeto, o equipamento recebe leite de outros 18 cooperados, e, como as demais, trata o leite extraído antes da venda. No total, a comunidade produz hoje 3.800 litros de leite por dia, coletados de caminhão e vendidos ao Laticínio da Estação Conhecimento APA do Igarapé Gelado, iniciativa da Fundação Vale, apoiada pela Vale e Prefeitura Municipal de Parauapebas.

Sem preocupação com o pasto e o comprador, os produtores estão caminhando para um novo patamar técnico, focando na qualidade da produção, buscando a melhoria de matrizes genéticas. No futuro, o presidente da Assopar, Luís dos Santos Ferreira, 57, prevê o aumento da produção individual de cada produtor em 500 litros de leite por dia. “Os produtores locais tomaram uma nova consciência de produção, e esse é o mais importante em todo o projeto”, disse.


Diversificação da produção em Palmares


Como nem todas as famílias têm talento para a produção do leite, o projeto Leite a Pasto passou a ser estendido a outras modalidades produtivas. Atualmente, o incentivo alcança a avicultura, a fruticultura e a piscicultura, diversificando a produção agrícola na região de Palmares. Devair Soares Limeira, agricultor, está transformando o sítio que antes produzia gado de corte, em área de produção de manga, milho e futuramente no açaí. No período mais seco do ano, o produtor espera colher os resultados da dedicação à nova cultura produtiva.

Psicultura é uma das atividades agrícolas beneficiadas pelo Projeto Leite a Pasto

“Minha terra é seca. Eu não tinha água. Quando apareceu a oportunidade financiada pela Vale, não pensei duas vezes. Hoje eu posso produzir, não tenho mais desculpa. Além disso, aprendi um pouco sobre irrigação, pois o sistema é todo automatizado, com isso fui buscar outra cultura, que é o açaí, que estou vendo que é muito viável. Daqui a 60 dias, devo ter 60 mil mudas aqui no pasto”, prospecta o agricultor.

E assim, de pouco em pouco, a vida no campo vai melhorando. Para o Luis Carlos, o verdadeiro sonho de viver terra está virando realidade. “Você amanhecer o dia e ver um pasto desse não tem coisa melhor. Estou muito feliz porque a vida da gente às vezes acontece muita coisa que a gente prefere nem lembrar, mas também acontecem coisas que a gente nunca vai esquecer, como um projeto desses”, diz emocionado.


Veja abaixo mais fotos da iniciativa:

Pasto do Sítio Mara Verde
Devair Soares Limeira migrou para a fruticultura depois de receber os kits de irrigação do Projeto Leite a Pasto
Irrigação deixa a produção do leite em alta o ano inteiro
Kits de irrigação implementados pelo projeto melhoram a produção de leite
Luis Carlos vem melhorando a produtividade do leite
Luís dos Santos Ferreira, presidente da associação, acredita no futuro própero na região
O sítio Mata Verde é uma das três propridades beneficiadas com o resfriador que recebe e trata o leite de outros sítios antes da venda
Pasto do Sítio Mara Verde verdinho a perder de vista
Projeto também garantiu a compra de um trator, que será utilizado por todos os cooperados
Refrigeradores beneficiam o leite produzido pelos 53 agricultores do Leite a Pasto


Assista ao vídeo sobre a iniciativa:

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