Vocação para evoluir no campo

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Vocação para evoluir no campo

Vocação para evoluir no campo


Cedo de manhã, Adalci Cândido Ferreira, 50 anos, está de pé. O pequeno produtor da comunidade Vila Ouro Verde, em Canaã dos Carajás, tem uma rotina que inicia às 5 horas e só termina quando o sol se põe, de segunda a segunda. Esforço concentrado em um único propósito: tocar o rebanho de vacas leiteiras que é a principal fonte de renda da família.

Pai de um casal de filhos e casado com uma professora da rede pública de ensino, é do campo que Adalci tira as forças e também a alegria para continuar a sua jornada. Desde pequeno, sempre sonhou em trabalhar com a terra e isso acabou levando-o a deixar a distante Miracema, no Tocantins, cidade onde nasceu. Chegou a Canaã ainda na década de 1980 em busca de seu pedaço de chão.


“No início foi difícil se aclimatar, a região era muito complicada, sem estrada. Era muito sofrimento, mas hoje a região evoluiu, temos facilidades que antes não existiam. Aqui está bem melhor. A família já está toda aqui”, conta Adalci com o sorriso no rosto.

Mas até se tornar um pecuarista, o caminho foi longo e cheio de sacrifícios. Durante mais de uma década, Adalci se manteve como professor do Ensino Fundamental. A carreira nas salas de aula durou 12 anos, mas a vontade de produzir e tirar da terra o que vai à mesa da família falou mais alto.

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“Ninguém queria vir da cidade para dar aula aqui. Eram feitos pequenos colégios dentro das comunidades. Os professores tinham que ser pessoas do local, mesmo que tivessem baixa escolaridade. Trabalhei com educação por muito tempo, mas não era a minha vocação. A minha vocação era ser agricultor”, recorda.

Como muitos outros trabalhadores atraídos para Canaã dos Carajás pela possibilidade de ter um pedaço de chão, Adalci rapidamente se apegou à cidade, fincando raízes por meio do trabalho.



Melhorar para ir mais longe

Fornecer leite com qualidade e higiene sempre foi um dos principais valores dos pequenos produtores da Vila Ouro Verde. Atualmente, a comunidade abastece municípios da região, como Redenção, pondo seu leite na mesa de centenas de famílias. Mas era preciso evoluir para continuar a garantir e expandir esse mercado.

Assim, organizados por meio da Associação Ouro Verde, os moradores se inscreveram no projeto Carta Aberta, uma iniciativa da Vale iniciada em 2014, desenvolvida em parceria com a Prefeitura Municipal de Canaã dos Carajás e que busca estimular pequenos negócios com foco em atividades rurais. Vila Ouro Verde foi contemplada na primeira fase do programa e adquiriu verba para a compra de dez kits de inseminação artificial para melhorar a qualidade genética dos animais e, assim, aumentar a produção de leite na comunidade.

“A média de produção de leite aqui é muito baixa. Queremos aumentar tanto quantidade, mas principalmente a qualidade. Talvez com menos gado, mas uma renda melhor. A gente precisa ter uma produção melhor e estamos fazendo através da inseminação.”Adalci Cândido.

Com a compra dos kits veio também uma oportunidade de capacitação. Os integrantes da comunidade receberam treinamento técnico para a utilização dos equipamentos e também suporte veterinário, que auxilia na inseminação dos animais.


A união faz a força

Para inscrever o projeto, a comunidade precisou ficar ainda mais unida. Os encontros e a troca de experiência viraram rotina na comunidade de Vila Ouro Verde, que procura enfrentar as dificuldades por meio de parcerias. “A gente tem reunião periódica para trocar experiência, trocar ideia para resolver o problema de cada um e tentar resolver juntos”, explica Adalci.


Criando valor para as novas gerações do campo

Para Adalci, projetos como esse valorizam o trabalho das pessoas que estão no campo e o sonho dos que se dedicam à terra. “Esse pedaço de chão é a segunda mãe da gente. A gente vendo brotar de tudo, a gente vê a subsistência, aqui tem fartura. Isso aqui, pra todos nós, é muito importante”.

O pecuarista acredita que a melhoria das práticas vai fortalecer a relação do homem com a agricultura e o trabalho vai voltar a ser passado de pai para filho. “A gente tem vontade de passar para as gerações futuras a importância da sucessão no campo. Tentamos passar que é possível viver no campo, e viver bem, assim como na cidade”, defende.


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