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16/06/2017

Instituto Tecnológico Vale participa de estudo que pode levar ao fim da transmissão da esquistossomose

Sinal verde para um possível fim da transmissão da esquistossomose. Um comitê mundial de cientistas realizou estudo do sequenciamento do DNA do caramujo transmissor da doença e descobriu que o genoma é similar ao humano. O sequenciamento levantou informações-base que devem permitir o bloqueio da transmissão da doença pelo parasita Schistosoma mansoni. O artigo, intitulado Whole genome analysis of a schistosomiasis-transmitting freshwater snail (Análise do genoma do caramujo de água doce Biomphalaria que transmite a esquistossomose), foi publicado na revista Nature, referência mundial de publicações cientificas.

Instituto Tecnológico Vale (ITV)

"Um exemplo do estudo é que moléculas quimiorreceptoras que o caramujo usa para se deslocar no ambiente podem ser bloqueadas e inviabilizar a sua sobrevivência. Da mesma forma, os mecanismos de resistência do caramujo ao parasita podem ser explorados geneticamente graças às informações geradas pelo trabalho. E agora, por fim, é possível atuar mais efetivamente para interromper a transmissão do parasita e traçar um mapeamento genético da distribuição desses caramujos”, explica o biologista molecular e pesquisador do Instituto Tecnológico Vale (ITV) de Belém, Guilherme Oliveira, um dos co-autores do artigo.

Como foi realizado o estudo?

Segundo Oliveira, para a pesquisa, que durou quase uma década para ser concluída, foi isolado um caramujo encontrado em Minas Gerais e, a partir desse material biológico, foi extraído o DNA para sequenciar, montar e descrever funcionalmente o genoma. Depois, foi realizado o perfil de expressão dos genes de todos os tecidos do organismo, estudo fundamental para se entender a biologia da espécie.

"Até então, antes do estudo, se fazia a avaliação de uma proteína ou um gene do organismo, ou seja, um aspecto isolado da fisiologia da espécie. Após o sequenciamento do genoma, podemos ver o funcionamento do organismo, do ponto de vista molecular, de maneira global", explica o biologista. O estudo do sequenciamento do genoma da Biomphalaria contribui para o alcance da erradicação mundial da esquistossomose até 2025, meta estabelecida pela OMS.

Como a pesquisa foi coordenada?

A coordenação do estudo foi dos pesquisadores da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, e o sequenciamento do genoma foi realizado na Universidade de Washington também nos EUA, com a participação de dezenas de grupos em todo o mundo. O biologista do ITV esteve à frente do grupo de trabalho brasileiro pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com a colaboração da Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais.

O ITV atua em duas frentes: questões voltadas ao desenvolvimento sustentável e temas ligados à mineração

Atualmente, já como pesquisador do ITV, Oliveira liderou a análise dos dados produzidos pelo antigo grupo da Fiocruz e coordenou a produção do artigo cientifico submetido à Nature. A elaboração do documento gerou um volume de informação com mais de 200 páginas, disponíveis à comunidade cientifica e acadêmica na busca continua de novas alternativas de combate ao molusco transmissor da esquistossomose.

Sobre a esquistossomose

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 240 milhões de pessoas estão infectadas pela esquistossomose no mundo e outras 700 milhões vivem em áreas de risco. Em locais onde não existe esgotamento sanitário ou o nível de saneamento é baixo, o perigo de contaminação é mais elevado, por conta do ambiente propicio à proliferação da espécie transmissora.

No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, estima-se que cerca de 1,5 milhão de pessoas vivem em áreas sob o risco de contrair a doença. Os estados das regiões Nordeste e Sudeste são os mais afetados. As áreas endêmicas e focais abrangem 19 estados.

O Instituto Tecnológico Vale

Em 2009, a Vale criou o Instituto Tecnológico Vale (ITV), com o objetivo de buscar soluções inovadoras de médio e longo prazo, que possam melhorar o desempenho operacional da empresa em todas suas etapas, desde a mina até a entrega final do produto ao cliente.

A intenção também é ajudar a gerar mudanças fundamentais nas estruturas de negócios da Vale, com respeito ao meio ambiente e às comunidades. Atualmente o ITV mantém duas unidades: uma em Belém (PA), especializada em questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável; e outra em Ouro Preto (MG), voltada a temas ligados à mineração.

 

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Instituto Tecnológico Vale participa de estudo que pode levar ao fim da transmissão da esquistossomose