Sobre a Vale

31/07/2018

Instituto Tecnológico Vale realiza sequenciamento de DNA do jaborandi, usado no combate ao glaucoma

Pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV), em Belém, estão realizando, pela primeira vez, o sequenciamento do DNA do jaborandi (Pilocarpus microphyllus), planta ameaçada de extinção, nativa de regiões de clima quente e úmido e encontrada nos estados do Pará, Maranhão e Piauí. As propriedades da planta são bastante usadas em produtos cosméticos e farmacêuticos. Dela, é extraída a pilocarpina, usada no tratamento do glaucoma e no combate à boca seca, conhecida cientificamente como Síndrome de Sjörgren.

Com o sequenciamento do DNA, os pesquisadores pretendem mapear a diversidade genética da planta e entender como ela produz pilocarpina. Esse é um ponto crucial para garantir a sobrevivência no longo prazo do jaborandi, que estima-se já ter perdido 50% da sua população natural por conta da extração predatória. A colheita das folhas de jaborandi, de onde é extraída a pilocarpina, é feita em área de floresta, pois o teor médio do princípio ativo - em torno de 1% - é o dobro do encontrado em plantas cultivadas. Isto explica porque a maior produção de jaborandi ainda hoje é predominantemente extrativista. No Brasil, a principal área de coleta está na Floresta Nacional de Carajás (Flona de Carajás), no Sudeste do Pará, cujo trabalho é realizado por meio da Cooperativa dos Extrativistas na Serra dos Carajás (Coex- Carajás), em Parauapebas. A cooperativa reúne cerca de 50 folheiros, como são chamados, os coletores de jaborandi.

O estudo do genoma é importante para conhecer a fisiologia de uma planta e como ela se relaciona com o meio físico e químico. No caso do jaborandi, estamos estudando os marcadores genéticos associados à produção de pilocarpina. Com o mapeamento do DNA, poderemos, no futuro, selecionar entre as plantas que produzem mais pilocarpina, aquelas com a características genéticas necessárias para aumentar a produção do princípio ativo

Guilherme Oliveira, biólogo molecular que lidera a equipe do ITV em Genômica Ambiental

O sequenciamento do genoma do jaborandi começou no ano passado e, segundo Oliveira, terá a sua primeira versão em 2019. É um genoma de grande tamanho e muito complexo porque possui regiões repetidas, ou seja, é como um quebra-cabeça no qual há várias peças iguais entre outros desafios, completa.

A pesquisa foi apresentada a jornalistas e comunicadores de Belém, recebidos pela Vale, na sede do ITV. A iniciativa integra os projetos Painel ITV, voltado à imprensa, com objetivo divulgar os resultados alcançados pelas pesquisas desenvolvidas pelo instituto. Na ocasião, os participantes também fizeram uma visita guiada às instalações e laboratórios do ITV por meio do Vale Conhecer.

Jornalistas e comunicadores de Belém participaram do evento de divulgação da pesquisa no ITV
Mapeamento
A Ciência em benefício da comunidade
O caminho do jaborandi

Outra frente de pesquisa, liderada pela Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), com o apoio do Instituto Tecnologia Vale, é o monitoramento fenológico do jaborandi, ou seja, a identificação das épocas e das formas de produção de sementes e novas folhas da planta. O monitoramento é realizado periodicamente por uma equipe de pesquisadores que visita as plantas marcadas ao longo do projeto, verifica a produção de flores, frutos e seu crescimento, a fim de coletar dados que embasem um melhor plano de conservação da espécie.

Outra frente de pesquisa, liderada pela Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), com o apoio do Instituto Tecnologia Vale, é o monitoramento fenológico do jaborandi, ou seja, a identificação das épocas e das formas de produção de sementes e novas folhas da planta. O monitoramento é realizado periodicamente por uma equipe de pesquisadores que visita as plantas marcadas ao longo do projeto, verifica a produção de flores, frutos e seu crescimento, a fim de coletar dados que embasem um melhor plano de conservação da espécie.

Um plantio de resgate, composto por 86 plantas matrizes oriundas de diversos locais da Flona, foi criado em Belém. Deste plantio, já produzimos 600 mudas, que foram transplantadas em uma área de preservação mantida pela Vale na área do S11D, afirma Caldeira, referindo-se à Mina do S11D, em Canaã dos Carajás, que também se encontra dentro da Flona de Carajás. Os pesquisadores pretendem subsidiar o plano de manejo da Flona e identificar áreas de ocorrência do jaborandi, para que possa se coletado de forma sustentável, beneficiando, por sua vez, a Cooperativa dos Extrativistas na Serra dos Carajás.

O estudo da caracterização genômica do Jaborandi e o mapeamento de novas áreas de ocorrência natural da espécie têm reflexos positivos na comunidade. As orientações sobre manejo sustentável aos produtores e a garantia de continuidade da espécie no ambiente natural, ou seja, a manutenção da floresta em pé, de onde os extrativistas podem tirar o sustento das suas famílias conectam esses dois pontos.

Gilson Moraes Lima, presidente da Coex-Carajás, destaca os ganhos das pesquisas para a atividade. O mapeamento das novas áreas aumentou consideravelmente a nossa produção. Até 2015, a colheita das folhas não passava de 23 toneladas. Nos anos seguintes, 2016 e 2017, a produção dobrou de volume. Hoje, superamos a marca de 50 toneladas, afirma.

Gilson Moraes Lima, presidente da Coex-Carajás, destaca os ganhos das pesquisas para a atividade. O mapeamento das novas áreas aumentou consideravelmente a nossa produção. Até 2015, a colheita das folhas não passava de 23 toneladas. Nos anos seguintes, 2016 e 2017, a produção dobrou de volume. Hoje, superamos a marca de 50 toneladas, afirma.

Até às farmácias, a trilha é longa e cheia de histórias. Para transformar essas folhas em uso medicinal, os folheiros chegam a passar o dia inteiro dentro da floresta durante seis meses - de julho a dezembro. A partir de um manejo sustentável, os extrativistas colhem, secam e ensacam as folhas do jaborandi, tudo dentro da mata. O extrativista chega a caminhar de 3 a 4 horas carregando entre 30 e 35 quilos de folhas nas costas até o carro que leva o produto para o galpão. No total, são colhidas de 40 a 50 toneladas de folhas da planta por ano.

A Coex é responsável por toda a organização da coleta das folhas e pelas negociações com o mercado comprador. Tudo que é produzido é vendido para o grupo Centroflora, no Piauí, empresa brasileira do setor químico e farmacêutico que trabalha com a comercialização e o desenvolvimento de extratos vegetais. É destas folhas que o Centroflora extrai os sais de pilocarpina e vende a substância para laboratórios farmacêuticos responsáveis pela produção do colírio usado no tratamento do glaucoma.

A atividade propicia renda para famílias que vivem no entorno da Flona de Carajás e que, devido às poucas oportunidades de trabalho na região, têm o seu sustento oriundo da floresta. Os ganhos financeiros mensais ficam entre R$ 4 mil e R$ 5 mil por cooperado, conta o presidente do Cooperativa Coex-Carajás, Gilson Moraes Lima.

Segundo o chefe da Floresta Nacional de Carajás, Marcel Regis Moreira da Costa Machado, a experiência de extração das folhas de jaborandi mostra que a unidade de conservação pode conciliar os interesses econômicos com a conservação ambiental. "Isso permite diversos usos dos recursos naturais existentes na unidade e beneficia diversos grupos sociais da região", diz Machado.


Instituto Tecnológico Vale realiza sequenciamento de DNA do jaborandi, usado no combate ao glaucoma