Mina de Gongo Soco revela histórias e casos sobrenaturais de Minas Gerais

Sobre a Vale

10/11/2017

Mina de Gongo Soco revela histórias e casos sobrenaturais de Minas Gerais

Mina de Gongo Soco revela histórias e casos sobrenaturais de Minas Gerais

Século XVIII. Barão de Cocais, Vila de Nossa Senhora do Socorro, pertencente à mina de Gongo Soco, em Minas Gerais. Lá morava o padre Antonio Tavares de Barros, apaixonado por queijos e ouro, que era por ele enterrado na própria fazenda. Um dia, um gato comeu seu queijo. Furioso, o padre o trancou dentro de um quarto para açoitá-lo. Encurralado, o animal pulou em seu pescoço e, com as unhas, rompeu uma de suas artérias. Os dois foram encontrados mortos dias depois. O lugar onde o padre enterrava o ouro ficou conhecido como tesoureiro. Nele, existe uma lamparina que iluminava e guarda o ouro. Atualmente só existem ruínas na fazenda e o local, dizem, é mal-assombrado.

A história do gato que matou o padre não é a única que cerca a região, onde a Vale atuou até 2016 extraindo minério de ferro. Durante a viagem do botânico e naturalista francês Saint-Hilaire por Minas Gerais, ele relata que, “quase logo após ter atravessado São João do Morro Grande (Barão de Cocais), passou diante de uma cruz”, descrevendo um terreno que teria sido habitado ou assombrado por almas do purgatório em Gongo Soco.

São muitas as histórias que rondam aquela área. No caminho para a fazenda Gongo Soco, estão as ruínas do palácio do Barão de Catas Altas e o arco do triunfo, por onde passaram Dom Pedro I e Dom Pedro II com suas comitivas. No trajeto existem ainda ruínas de uma antiga cidadela inglesa, também do século XVIII. E dentro da fazenda Gongo Soco, está a Capela de Santana, construída, restaurada e conservada pelos proprietários.

Veja abaixo um resumo sobre a história e curiosidades de Gongo Soco:

1A história de Gongo Soco começa nos primeiros anos do século XVIII com o comerciante de madeira Manuel da Câmara Bittencourt. Ele descobriu o ouro na área, que passou a ser conhecida como Mina do Gongo. Após a sua morte, em 1756, seu sobrinho Manuel da Câmara de Noronha Bittencourt herdou a mina e a fazenda do Morro Grande.

2Mais tarde, Gongo Soco foi herdada pelo Barão de Catas Altas, João Batista Ferreira Chichorro de Souza Coutinho. Nas primeiras décadas do século XIX, a mina de Gongo Soco e sua vila foram vendidas à companhia inglesa Imperial Brazilian Mining Association. Os ingleses fundaram uma aldeia no local e construíram ponte, fundição de pedra e duas igrejas, uma católica e outra protestante. Cerca de 600 famílias inglesas ocuparam a região entre 1826 e 1856.

3 Ao fundo, em meio às ruínas, é possível ver o cofre onde o Barão de Catas Altas guardava o ouro extraído da região
Ao fundo, em meio às ruínas, é possível ver o cofre onde
o Barão de Catas Altas guardava o ouro
extraído da região

Com a renda gerada pelo ouro, o Barão de Catas Altas construiu um grande palácio em Gongo Soco com 1 mil m². Em um de seus mais de 50 cômodos, o Barão guardava o ouro, dentro de um cofre. O local permanece intacto até hoje. Desde 1995, Gongo Soco é um conjunto de ruínas tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha).


4 Casarão do Barão de Catas Altas em 1913
Casarão do Barão de Catas Altas em 1913

Em um de seus inúmeros banquetes, o Barão de Catas Altas serviu almôndegas que, estranhamente, resistiam aos dentes dos garfos dos convidados. Sim, ele mandou fazer almôndegas de ouro maciço, em molho comum, para a surpresa dos amigos! Como brinde, cada um deles levou consigo uma almôndega, conforme relatado no livro “Gongo Soco”, de Agripa Vasconcelos.


5 E qual o significado de Gongo Soco? Uma das versões para o significado do termo conta que um escravo, vindo do Congo, foi encontrado na região na posição curvada (palavra que teria originado “soco”), cavando escondido um depósito de ouro.

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Em meio às ruínas de Gongo Soco, historiadores encontraram vários ossos de galinha. Foi assim que descobriram que ali os ingleses construíram um hospital, por conta dos acidentes ocorridos na mina. Canja era o prato servido aos pacientes. No local ainda foram descobertos vidros de farmácias da época e um fragmento de seringa.


7Outro traço curioso da história de Gongo Soco é que, em uma das partes mais altas da fazenda, permanece quase intacto um cemitério construído pelos ingleses, com dez túmulos conservados com epitáfios escritos ao estilo de Shakespeare.

8Sob a direção dos ingleses, a mina de Gongo Soco produziu cerca de 12 mil quilos de ouro! Após 30 anos de exploração, a produção do ouro foi reduzida a apenas 29 quilos! Isso porque, em 1856, o maquinário não foi suficiente para atingir os veios mais profundos da mina. Assim, os ingleses deixaram a fazenda, finalizando mais uma etapa da história de Gongo Soco.

Fontes:

Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais

“Gongo Soco”, Agripa Vasconcelos

Senac Minas Gerais – Descubra Minas

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