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2/1/2006 Logística precisa de executivosA deficiência brasileira em infra-estrutura e o mau estado da conservação da malha rodoviária e ferroviária criam oportunidades de trabalho na área de logística no Brasil. Com o recorde nas exportações, os investimentos em infra-estrutura se fazem necessários - a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) investirá R$ 2 bilhões no Espírito Santo, para a construção da Variante Litorânea Sul da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e o Porto de Sepetiba, no Rio de Janeiro, deve receber US$ 10 bilhões. Isso amplia ainda mais as oportunidades.Diante desse cenário, a logística é uma das raras áreas em que a demanda por profissionais é maior que a oferta. Professores e especialistas da área afirmam que faltam profissionais qualificados no mercado e que, uma das possíveis causas para essa deficiência é a ausência de cursos de graduação em logística. Os profissionais, geralmente, são formados em engenharia, administração, informática ou comércio exterior e aprendem muito do setor na prática. Professores dizem que, entre estes cursos, não há preferência no mercado de trabalho. Mas, para ocupar a lacuna educacional, os interessados em especialização no mercado devem procurar cursos de pós-graduação na área. Além disso, inglês e uma terceira língua também agregam valor ao currículo. O investimento em educação vale a pena: o salário médio de um analista de logística em início de carreira chega a R$ 3 mil e um gerente recebe, em média, R$ 10 mil. O trabalho em logística levou Isabel Figueiredo a ganhar o título de uma das mulheres mais influentes do Brasil, segundo a revista Forbes. Diretora de suprimentos e logística da Braskem, Isabel revela que nunca pensou em ser executiva ou trabalhar com logística. Fluente em inglês, Isabel entrou na Alcoa como secretária bilingüe e, pela fluência em inglês, foi passando por cargos e setores até ser a responsável por suprimentos e logística na área de comércio exterior. Antes de ingressar na Braskem, já para a função que exerce atualmente, atuou como diretora de logística e suprimentos na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), entre 1998 e 2002. "Trabalhar com logística no Brasil é um desafio, por causa dos problemas de infra-estrutura, estradas, portos e rodovias", afirma. Fluência em pelo menos dois idiomas é fundamental Isabel é graduada em economia, tem mestrado em administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, fez MBA na London Business School, na Inglaterra, e cursos executivos na University of North Carolina at Charlotte, nos Estados Unidos. Para ela, a fluência em duas ou três línguas e cursos na área é necessário. "Conhecimento de idiomas é fundamental", afirma. Deise Vieira, diretora de recursos humanos (RH) da Gefco, uma das maiores empresas mundiais de logística, lembra que uma boa base acadêmica é importante, mas o requisito primordial é gostar da profissão e ter capacidade de dedicação e aprendizagem. "Competências genéricas, como capacidade de adaptação, trabalho em equipe, foco no resultado e visão global da empresa também são importantes". A fluência em outros idiomas também é considerada importante por Fausto Miniuchi, gerente de estudos logísticos da Gefco. Graduado em engenharia mecânica, Miniuchi lembra que aprendeu sobre o mercado na prática. "Na faculdade, tinha interesse pelos cursos relacionados à logística". Como não há curso superior na área, ele aconselha que o estudante procure formação em engenharia, administração ou informática, já que a logística está bastante integrada a sistemas de softwares. Miniuchi prevê bons tempos para o setor no Brasil, especialmente no Rio. "Os investimento no Porto de Sepetiba, o aumento da malha rodoviária e a ascensão de Macaé, no litoral norte do estado do Rio, são oportunidades", afirma. Um país do tamanho do Brasil tem muito a ser trabalhado. Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) revelam que os gastos com logística consomem 17% do Produto Interno Bruto (PIB), devido à ineficiência da infra-estrutura. Nos Estados Unidos, são gastos 10,5% do PIB. Em termos mundiais, os gastos ficam em 12%. Especialistas dizem que, ao comparar-se a eficiência mundial com a eficiência brasileira, verifica-se um desperdício de US$ 25 bilhões anuais. Pensando na oportunidade de desenvolvimento da área no País, José de Ávila Jacintho, diretor técnico-operacional da unidade de negócios Logística da LSI, recusou uma oferta de trabalho no exterior. Há 20 anos na área, Jacintho também lamenta a ausência de cursos de graduação na área. O diretor é engenheiro mecânico, fez pós-graduação e atualmente faz mestrado. Ele lembra que logística não é só transporte, mas ocorre também dentro das empresas, para evitar o desperdício de material. "A valorização das atividades logísticas demoraram a acontecer e só ocorreu quando os grandes operadores chegaram no Brasil", lembra. SaibaMais Mercado de US$ 100 bilhões no Brasil O Fundo Monetário Internacional (FMI) calcula que o mercado de logística movimenta US$ 3, 7 trilhões ao ano. Os Estados Unidos detém quase 25% disso, com US$ 1 trilhão. O Brasil tem um mercado de US$ 100 bilhões anuais. Apesar de estar na moda, a logística é empregada por exércitos desde antes de Cristo. José de Ávila Jacintho, diretor técnico-operacional da unidade de negócios Logística da LSI e mestrando em Logística, explica que a palavra logística remete ao século 9 a.C. "Logistikos" era o profissional do exército na Grécia Antiga e significa calcular, prever e refletir. Outra corrente acredita que a palavra logística é de origem francesa, do verbo "loger", que significa alojar. O termo significa a arte de transportar, abastecer e alojar tropas. Com o passar do tempo, o significado foi se tornando mais amplo, passando a abranger outras áreas como a gerência de estoques, armazenagem e movimentação. Em outubro de 1999, em um encontro internacional que foi promovido em Toronto, no Canadá, o Council of Logistics Management (CLM, Conselho de Gestão de Logística), maior autoridade sobre o assunto, adaptou a definição anterior de logística, cunhada em 1991, para a seguinte: "Logística é a parte do processo da cadeia de suprimento que planeja, implementa e controla o eficiente e efetivo fluxo e estocagem de bens, serviços e informações relacionadas, do ponto de origem ao ponto de consumo, visando atender aos requisitos dos consumidores." Formação depende da área de atuação Administrador ou engenheiro? Qual é a melhor formação para um profissional de logística? Professores dizem que depende da área em que o estudante vai atuar. Coordenador do curso de certificação em logística da Fundação Vanzolini, Paulino Francischini afirma que, em atividades onde a negociação é necessária, como de compras, o administrador leva vantagem. Já em armazenagem de materiais e estoques, os engenheiros se adaptam melhor. Maurício Lima, professor do Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lembra que geralmente diretores de logística são de outras áreas, como financeira, tecnologia da informação (TI) e marketing comercial. "Os analistas fazem administração ou engenharia e, na maioria das vezes, a empresa busca formar os profissionais internamente", diz. Graduados em comércio exterior e informática também têm espaço. Apesar de a procura ser grande, é preciso qualificação para estar no mercado. Além de uma boa graduação, pós-graduação e fluência em línguas, algumas empresas dão preferência a profissionais que tenham certificados internacionais na área de gestão da cadeia de suprimentos, produção e estoque, como o CPIM (Certified in Production and Inventory Management, certificado em gestão de produção e estoque). Francischini, da Fundação Vanzolini, afirma que, no Brasil, poucos profissionais têm o certificado - cerca de 300 -, o que pode trazer diferencial ao currículo. O CPIM é um processo de certificação profission Para assistir as matérias veiculadas em TV, vá à seção de Multimídia.
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